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Gerente da felicidade: ser feliz no trabalho é possível?

Gerente da felicidade: ser feliz no trabalho é possível?

Volume 32 Nº 2 (2023) REGEM mar 2024

ISSN 2763-8022 (International Standard Serial Number)

por Saulo Carvalho, MSc.
*direitos reservados ©. Texto com liberdade de citação: CARVALHO, S.

Sobre o autor: Mestrado em Gestão e Planejamento | Especialização em Comunicação Empresarial e Marketing. Atuações e consultorias em Gestão e Marketing no Brasil e América Latina.

Gerente da felicidade: ser feliz no trabalho é possível?

A gestão da felicidade nas empresas é um tema de crescente interesse no campo da administração, especialmente em um contexto onde a satisfação e bem-estar dos colaboradores estão diretamente ligados ao desempenho e sucesso organizacional.

Empresas e acionistas buscam entender os benefícios que um bom clima organizacional traz para a lucratividade e os dividendos e muitas organizações já abrem posições para o Gerente da Felicidade.

Não é um tema fácil, sobretudo com um pano de fundo corporativo. Até porque felicidade em sua forma específica pode variar substancialmente de colaborador para colaborador. No entanto, mesmo dentro deste espectro variável, não é difícil imaginar que um funcionário feliz produza mais e com maior qualidade ao longo do tempo.

O propósito da empresa, a sua missão, o quão é respeitada pelo mercado e pelo tecido social, o quão é desejada e admirada por profissionais, também traz aos colaboradores atuais, um sentimento feliz de pertencimento e positividade.

Ganha espaço, portanto, a Gestão da Felicidade nas empresas. E esse espaço nos leva à necessidade de melhor entender os impactos do Clima Organizacional, os desafios do trabalho remoto, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e as razões atuais para os pedidos de demissão, bem como as melhores práticas e cases de sucesso nesta área.

Como Gestor e consultor em diversos projetos de Marketing, Qualidade e Processos Organizacionais, sempre busco explicar aos gestores as grandes vantagens do entendimento sobre o clima organizacional como etapa que antecede a implementação de muitos projetos e ou ações estruturais.

Gerente da felicidade

Faz muitos anos que afirmo que as práticas de Gestão de Pessoas precisam avançar na direção da valorização, do desenvolvimento e treinamento dos colaboradores.

Ser humano não é “recurso”! Afirmo isso e sempre continuarei afirmar!

Por esta razão, sugiro aos gestores das empresas a repensarem o acrônimo RH! Adotem DHO (desenvolvimento humano e organizacional), Gente e  Gestão, Pessoas ou qualquer outro que promova disrupção nesse setor tão fundamental e basilar para quaisquer organizações.

Gerente da felicidade, também conhecido como Chief Happiness Officer (CHO) em inglês, é então o profissional responsável por promover o bem-estar e a felicidade dos colaboradores dentro de uma empresa. Suas responsabilidades podem incluir:

  1. Desenvolvimento de Cultura Organizacional: O Gerente da Felicidade ajuda a criar e manter uma cultura positiva e saudável dentro da empresa, promovendo valores como respeito, colaboração e reconhecimento.
  2. Programas de Bem-Estar: Ele desenvolve e implementa programas de bem-estar que visam melhorar a saúde física, mental e emocional dos funcionários, como atividades físicas, workshops de saúde mental e programas de alimentação saudável.
  3. Engajamento dos Funcionários: O Gerente da Felicidade trabalha para manter os funcionários engajados e motivados, criando um ambiente de trabalho positivo que estimula o crescimento pessoal e profissional.
  4. Comunicação Interna: Ele facilita a comunicação interna, garantindo que os funcionários estejam bem informados sobre as políticas, objetivos e atividades da empresa.
  5. Feedback e Reconhecimento: O Gerente da Felicidade promove uma cultura de feedback construtivo e reconhecimento, valorizando o esforço e o desempenho dos colaboradores.
  6. Gestão de Conflitos: Ele ajuda a resolver conflitos e promove a resolução pacífica de disputas entre os funcionários.
  7. Monitoramento e Avaliação: O Gerente da Felicidade monitora a satisfação dos funcionários e avalia a eficácia dos programas e iniciativas de bem-estar, fazendo ajustes conforme necessário.

Clima organizacional e felicidade

Gestão da felicidade

O clima organizacional desempenha um papel fundamental na promoção da felicidade no ambiente de trabalho. Ele refere-se ao ambiente psicológico interno percebido pelos colaboradores, que influencia diretamente seu comportamento, motivação e satisfação. Empresas com um clima organizacional positivo tendem a ter colaboradores mais engajados, produtivos e felizes.

Para criar um clima organizacional favorável à felicidade, as organizações devem promover a comunicação transparente, incentivar o trabalho em equipe, reconhecer e recompensar o desempenho, e oferecer oportunidades de desenvolvimento profissional. Além disso, é importante que os líderes demonstrem empatia, estejam abertos ao feedback e promovam um ambiente inclusivo e diversificado.

Trabalho remoto e gestão da felicidade

O trabalho remoto se tornou uma realidade para muitas organizações, especialmente após a pandemia de COVID-19. Embora ofereça benefícios como maior flexibilidade e redução do tempo de deslocamento, o trabalho remoto também apresenta desafios para a gestão da felicidade dos colaboradores.

A falta de interação face a face, a dificuldade em separar vida pessoal e profissional, e a sensação de isolamento são alguns dos desafios enfrentados pelos colaboradores que trabalham remotamente.

No entanto, claramente o trabalho remoto traz inúmeros benefícios à qualidade de vida dos funcionários e empresas, como.

  1. Flexibilidade de horários

Um dos principais benefícios do trabalho remoto é a flexibilidade de horários. Colaboradores que trabalham remotamente têm a liberdade de definir seus próprios horários de trabalho, o que lhes permite conciliar melhor suas responsabilidades profissionais e pessoais. Isso pode resultar em uma maior satisfação no trabalho e uma melhor qualidade de vida.

  1. Redução do tempo de deslocamento

O trabalho remoto elimina a necessidade de deslocamento diário para o escritório, o que pode resultar em uma significativa economia de tempo e dinheiro para os colaboradores. Além disso, a redução do tempo de deslocamento pode contribuir para uma maior produtividade e bem-estar geral dos colaboradores.

  1. Maior autonomia e autogestão

Trabalhar remotamente requer uma maior autonomia e autogestão por parte dos colaboradores. Isso pode levar a um maior senso de responsabilidade e autoconfiança, bem como a uma maior capacidade de organização e planejamento.

  1. Redução do estresse e melhoria do bem-estar

O trabalho remoto pode reduzir significativamente o estresse associado ao trabalho, especialmente para aqueles que enfrentam longos deslocamentos ou trabalham em ambientes estressantes. Além disso, trabalhar em um ambiente confortável e familiar pode contribuir para um melhor bem-estar geral dos colaboradores.

  1. Acesso a talentos mais diversificados

Para as empresas, o trabalho remoto oferece a oportunidade de acessar um talento mais diversificado, sem as restrições geográficas tradicionais. Isso pode resultar em uma força de trabalho mais diversificada e inclusiva, o que pode levar a uma maior inovação e criatividade.

  1. Redução de custos operacionais

O trabalho remoto pode resultar em uma significativa redução nos custos operacionais para as empresas, como aluguel de escritórios, despesas com transporte e alimentação. Isso pode levar a uma maior rentabilidade e sustentabilidade financeira para as empresas.

  1. Continuidade dos negócios em situações de crise

O trabalho remoto também pode garantir a continuidade dos negócios em situações de crise, como pandemias, desastres naturais ou outras emergências. Colaboradores que trabalham remotamente podem continuar suas atividades mesmo quando o acesso ao escritório é limitado ou impossível.

Gestão da felicidade

Em suma, o trabalho remoto oferece uma série de benefícios significativos tanto para colaboradores quanto para empresas. Ao proporcionar maior flexibilidade, redução do estresse, acesso a um talento mais diversificado e redução de custos operacionais, o trabalho remoto pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos colaboradores e o desempenho das empresas.

Para promover a felicidade neste contexto, as empresas devem investir em tecnologia para facilitar a comunicação e colaboração entre equipes, promover o bem-estar mental e físico dos colaboradores e criar políticas que incentivem o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Equilíbrio entre vida pessoal e profissional

O equilíbrio entre vida pessoal e profissional é essencial para promover a felicidade dos colaboradores. Empresas que reconhecem a importância deste equilíbrio tendem a ter colaboradores mais satisfeitos, motivados e produtivos.

Para promover este equilíbrio, as organizações devem incentivar práticas como flexibilidade de horários, trabalho remoto, licenças parentais e programas de bem-estar. Além disso, é importante que os líderes incentivem os colaboradores a desconectar do trabalho fora do horário de expediente e promovam uma cultura que valorize a saúde mental e física.

Pedidos de demissão

As razões para os pedidos de demissão têm evoluído ao longo do tempo, com questões relacionadas à felicidade e bem-estar dos colaboradores ganhando cada vez mais destaque. Atualmente, os colaboradores estão mais propensos a deixar seus empregos se não se sentirem valorizados, se não tiverem oportunidades de crescimento ou se não estiverem satisfeitos com o ambiente de trabalho.

Para reduzir a rotatividade e promover a felicidade dos colaboradores, as empresas devem investir em programas de desenvolvimento de liderança, oferecer oportunidades de crescimento e reconhecimento, e promover uma cultura que valorize a diversidade e inclusão.

Produtividade

Gestão da felicidade

Pesquisas atuais nas universidades de Stanford, Oxford e estudos da própria OIT Organização Internacional do Trabalho sobre o aumento de produtividade com o trabalho remoto, têm mostrado resultados mistos com algumas evidências que apontam para um aumento significativo na produtividade, enquanto outras sugerem que o impacto pode variar dependendo de vários fatores. Essas pesquisas levantam alguns pontos interessantes:

  1. Maior foco e menos interrupções: Muitos estudos sugerem que os colaboradores que trabalham remotamente tendem a ter um maior nível de foco e concentração devido a menos interrupções do ambiente de escritório, o que pode resultar em um aumento da produtividade.
  2. Maior flexibilidade de horário: A flexibilidade de horário oferecida pelo trabalho remoto permite que os colaboradores escolham os momentos do dia em que são mais produtivos, o que pode levar a um melhor uso do tempo de trabalho e, consequentemente, a um aumento da produtividade.
  3. Redução do estresse do deslocamento: O tempo e o estresse associados ao deslocamento diário para o trabalho podem ser reduzidos com o trabalho remoto, o que pode contribuir para uma melhor saúde mental e, por sua vez, para uma maior produtividade.
  4. Maior Autonomia e Autogestão: Colaboradores que trabalham remotamente geralmente têm mais autonomia e responsabilidade sobre seu trabalho, o que pode resultar em uma maior motivação e produtividade.
  5. Melhor Equilíbrio Entre Vida Profissional e Pessoal: O trabalho remoto pode ajudar os colaboradores a equilibrar melhor suas responsabilidades profissionais e pessoais, o que pode resultar em uma maior satisfação no trabalho e, consequentemente, em uma maior produtividade.

Por outro lado, algumas pesquisas também destacam desafios potenciais que podem afetar a produtividade no trabalho remoto, como a falta de interação social, a dificuldade em separar vida pessoal e profissional e a necessidade de autodisciplina e motivação.

Enquanto algumas pesquisas indicam que o trabalho remoto pode levar a um aumento da produtividade devido a maior foco, flexibilidade e autonomia, é importante considerar que o impacto pode variar dependendo do contexto e das características individuais dos colaboradores.

Melhores práticas e cases de sucesso

Gestão da felicidade

Algumas empresas têm se destacado na promoção da felicidade dos colaboradores através de práticas inovadoras e eficazes.

A Google, por exemplo, é conhecida por suas políticas de bem-estar, que incluem refeições gratuitas, áreas de lazer e programas de saúde mental.

Outro exemplo é a Zappos, que promove uma cultura de felicidade através de programas de reconhecimento, desenvolvimento pessoal e flexibilidade no trabalho.

A Gestão da Felicidade nas empresas é um campo novo e que, portanto, evolui rapidamente em seus novos aprendizados. Isso requer ações proativas por parte das organizações para promover um ambiente de trabalho saudável, inclusivo e gratificante.

É certo que ao adotar práticas que promovam o clima organizacional positivo, incentivem o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, e valorizem o bem-estar dos colaboradores, as empresas podem não apenas melhorar a felicidade de seus colaboradores, mas também aumentar sua produtividade e sucesso organizacional.

Ser feliz no trabalho e conseguir equilibrar vida pessoal e profissional não somente é possível, como é o único caminho para o bom estado físico, mental e espiritual. Já para as empresas, minha prática aponta que não há dúvidas sobre os impactos positivos na produtividade e lucratividade a longo prazo.

O artigo que escrevi sobre clima organizacional também demonstra isso com maior riqueza de detalhes.

Como está o Clima Organizacional da sua empresa? Tem alguém olhando para isso? 

Citação a CARVALHO, S. 

Saulo Carvalho é Mestre em Gestão e Planejamento (UNITAU) stricto-sensu. Pós-Graduado em Comunicação e Marketing Empresarial (UMESP) lato-sensu, Graduado em Administração de Marketing (UMESP). Admitido em regime especial ao Doutorado sobre Pesquisa Operacional (ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica e Universidade Federal de São Paulo).

Consultor empresarial com atuações no Brasil e América Latina. Ministra disciplinas de Administração, Marketing, Pesquisa e Planejamento Estratégico aos cursos superiores de Administração, Marketing e Engenharia. É pesquisador sobre Gestão, Marketing e Ambiente Econômico. Desenvolve e aplica pesquisas científicas sobre Gestão e Marketing.

LEIA OS TERMOS DE USO ©

Referências

Does Working from Home Work? Evidence from a Chinese Experiment – Estudo realizado por Nicholas Bloom, da Universidade Stanford, e seus colegas, que analisa os efeitos do trabalho remoto na produtividade dos colaboradores. Disponível em https://www.jstor.org/stable/26372598 acessado em 01 de abril de 2024

 Impactos do teletrabalho durante a pandemia da covid-19: principais achados e lacunas de pesquisa” – Relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que examina os impactos da pandemia na produtividade, incluindo os efeitos do trabalho remoto. Disponível em https://periodicos.uniarp.edu.br/index.php/visao/article/view/2983acessado em 01 de abril de 2024

 Flexible Working, Individual Performance, and Employee Attitudes: Comparing Formal and Informal Arrangements” – Estudo realizado por diversos pesquisadores que analisa os efeitos da flexibilidade no trabalho na produtividade e satisfação dos colaboradores. Disponível em https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/hrm.21822acessado em 01 de abril de 2024

 What’s next for remote work: An analysis of 2,000 tasks, 800 jobs, and nine countries – Revisão da literatura sobre trabalho remoto realizada por pesquisadores da Universidade de Oxford, que aborda os benefícios e desafios do trabalho remoto para a produtividade. Disponível em: https://www.mckinsey.com/featured-insights/future-of-work/whats-next-for-remote-work-an-analysis-of-2000-tasks-800-jobs-and-nine-countriesacessado em 01 de abril de 2024

 The impact of teleworking and digital work on workers and society – Estudo que investiga o impacto do teletrabalho na performance de inovação das empresas. Disponível em: https://www.europarl.europa.eu/RegData/etudes/STUD/2021/662904/IPOL_STU(2021)662904_EN.pdf acessado em 01 de abril de 2024

 

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